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Yuval Harari – A transformação dos humanos em deuses

Numa entrevista publicada em 27 de maio de 2017, pelo Dário de Notícias o famoso historiador Yuval Harari aborda diversos temas da atualidade e afirma que: “Não sabemos o que ensinar aos jovens pela primeira vez na História”.

As razões encontram-se neste seu último livro “Homo Deus: uma breve história do amanhã”, onde Yuval Harari, dá-nos conta de que no séc. XXI, o controle da fome, das epidemias e da guerra deixam de ser os principais problemas da humanidade.  Numa antevisão pouco agradável, onde a Inteligência Artificial e a biogenética destituirão em breve as regras que gerem as sociedades atuais, Yuval Harari explica que a principal ambição humana será, no sentido literal, a transformação dos humanos em deuses. Os seres humanos esforçam-se por adquirir capacidades que foram inicialmente pensadas como capacidades divinas. Em particular, a capacidade de manipular e criar vida. E essa  necessidade de controlar tudo o que nos rodeia está a transformar o mundo e está a transformar-nos em algo novo. (Entrevista completa aqui )

“(…) Yuval Harari explica como os netos dos nossos netos só serão em parte humanos, que será o algoritmo a decidir os empréstimos de um banco, que as reivindicações dos excluídos serão ignoradas e que o que hoje se ensina nas escolas e universidades de pouco servirá dentro de no máximo duas décadas. (…)”

Sobre a felicidade, “(…) No subcapítulo O Direito à Felicidade considera que este é o segundo grande projeto na agenda da humanidade. Mas, como dizia Epicuro, esta busca não continua a conduzir à infelicidade?

Sim, até agora a busca da humanidade pela felicidade não foi muito bem-sucedida. Nós somos hoje muito mais poderosos do que alguma vez fomos e a nossa vida é certamente mais confortável do que no passado, mas é duvidoso que sejamos muito mais felizes do que os nossos antepassados. Os americanos médios têm um carro, um telemóvel, um frigorífico cheio de comida e um armário cheio de medicamentos, coisas com que os seus antepassados dificilmente poderiam sonhar. No entanto, os americanos estão tão irritados e insatisfeitos com a sua situação, que elegeram Donald Trump como seu presidente. Aparentemente, não é fácil traduzir o poder em felicidade.

Uma explicação é que a felicidade depende menos de condições objetivas e mais das nossas próprias expectativas. As expectativas, no entanto, tendem a adaptar-se às condições. Quando as coisas melhoram, as expectativas aumentam e, consequentemente, mesmo melhorias drásticas nas condições podem deixar-nos tão insatisfeitos como antes. (…)”

 

 

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